quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Cor da Graça
Ensurdeço
mas amanheço.
Hoje - rompo o dia -
de manhã, alvoreço.
De tanto redundar
pleonasmo,
no pleno, pasmo!
Nada tenho
Tudo tenho
mas amanheço.
Hoje - rompo o dia -
de manhã, alvoreço.
De tanto redundar
pleonasmo,
no pleno, pasmo!
Nada tenho
Tudo tenho
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Ruídos
Digo por começar
que não é vaidade.
Começo por dizer:
tanto faz se fez-se por transitoriedade.
Ao circular, me tenho atenta
Mantenho a tenta por sondar feridas,
tateio o condensado por ter mão densa.
Cumpro à espreita, mas é por força maior;
de mais solidez: espécie das unidades
Mistura de água, cimento, areia e pedra britada
Broa de amêndoa, perfume de padarias de esquina
Porém, de suspeita aromática, vai saber.
Não escravizo as ruas por sede vulgar
nem corro em negócios para não escravizar.
Suavizo os passos sobre o tom do espesso
que, por ser luzente, me vem a mente
o também som de medo.
que não é vaidade.
Começo por dizer:
tanto faz se fez-se por transitoriedade.
Ao circular, me tenho atenta
Mantenho a tenta por sondar feridas,
tateio o condensado por ter mão densa.
Cumpro à espreita, mas é por força maior;
de mais solidez: espécie das unidades
Mistura de água, cimento, areia e pedra britada
Broa de amêndoa, perfume de padarias de esquina
Porém, de suspeita aromática, vai saber.
Não escravizo as ruas por sede vulgar
nem corro em negócios para não escravizar.
Suavizo os passos sobre o tom do espesso
que, por ser luzente, me vem a mente
o também som de medo.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009
Meme, a brincadeira é, me foi passado pela talentosíssima e querida amiga Ca:mila - Vaga-Lumens
> Agarrar o livro mais próximo
> Abrir na página 161
> Procurar a quinta frase completa
> Colocar a frase no blog
> Repassar para quem quiser
A brincadeira: Primeiras Estórias - João Guimarães Rosa
"A gente tendo de soroar. Na sala. Nestes bancos e cadeiras. Aqueles lampiões e lamparinas. Todos, os de mando. Que eu, meu irmão João Norberto, compadres Veríssimo e Serejério, e o Noivo, mais Seo Fifino. Também a Noiva, em seu vestido branco, e Sa-Maria Andreza, mulher minha. Todos e Todas. A furupa de homens bons. Que, perto de mim, meu Zé Sipío. E a ceia - o enterro-dos-ossos - com alegria. Homem comendo em pé, o prato na mão; alerta ao ouvido. A gente, risonhos de guerra, a qualquer conta. Aqui, o inimigo que viesse! - esses Dioclécios, dianhos. A hora - de fechar os fôlegos. Aqui, a gente esperava - com luz para mil mariposas. E: manda o tri-o-li-olá... - se me diz - pique-será! Ninguém viesse? Ao ao-que-é-que-é, estávamos."
> Agarrar o livro mais próximo
> Abrir na página 161
> Procurar a quinta frase completa
> Colocar a frase no blog
> Repassar para quem quiser
A brincadeira: Primeiras Estórias - João Guimarães Rosa
"A gente tendo de soroar. Na sala. Nestes bancos e cadeiras. Aqueles lampiões e lamparinas. Todos, os de mando. Que eu, meu irmão João Norberto, compadres Veríssimo e Serejério, e o Noivo, mais Seo Fifino. Também a Noiva, em seu vestido branco, e Sa-Maria Andreza, mulher minha. Todos e Todas. A furupa de homens bons. Que, perto de mim, meu Zé Sipío. E a ceia - o enterro-dos-ossos - com alegria. Homem comendo em pé, o prato na mão; alerta ao ouvido. A gente, risonhos de guerra, a qualquer conta. Aqui, o inimigo que viesse! - esses Dioclécios, dianhos. A hora - de fechar os fôlegos. Aqui, a gente esperava - com luz para mil mariposas. E: manda o tri-o-li-olá... - se me diz - pique-será! Ninguém viesse? Ao ao-que-é-que-é, estávamos."
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
A Noite
Não urgenciava as palavras, assim pensava ao gesticular, Júlia. Uma vez ele disse que não a amava. Uma é querer simplificar, dizia sob entrelinhas explícitas. Daí inventava qualquer estória e sorria. Gargalhava às vezes. Ela ria junto, o que se podia fazer?
Teve um dia em que se reencontraram, e foi péssimo! Uma amiga a acompanhava por sorte ou azar. Beberam e conversaram bem pouco. E como o tempo passou e nada lhe veio à memória nos dias atuais, fingiu esquecer, e funcionou! Quis sequer uma lembrança que goste de guardar; Foi como se aquele dia não tivesse acontecido. Ah! A camisa! Sim, era pra uma cor parecida de sol pós meio-dia quando fecham-se os olhos bem apertados e olha pra o céu.
Assistia, Júlia, a conversa que se entusiasmava gradual na mesa de bar. Tal era o desconforto que nem o assunto lhe interessava a tornar-se sociável. Poderia estar em qualquer lugar, menos ali.
Mas tinha também que não estava bem boa das idéias. Não, não consumira qualquer tipo de droga a não ser uma dose de o que era mesmo? Tomara na adolescência, comentara com a amiga ao fazer o pedido. Era uma dose desses similares a pinga com limão ou aquele outro com groselha. Em copo de plástico, que o boteco ao lado, ao do de encontro, estava fechando. Engoliu forte, em duros goles. Pronta, estou pronta! - Disse a amiga.
Relutara em guiar os passos, uma frescura momentânea para dizer que estava nervosa. Ou duvidosa; Era vontade de medo. Sabia é que se misturavam àquela bebida quente, e ela a tudo isso, em meio também àquela temperatura de o quê, 35 graus! Em seu cérebro eram 40, fritavam os graus todos.
Fôra assim, uma noite. Noites estas, existiram. Lembrara destas.
Júlia, numa outra noite, numa outra mesa de bar, dizia da experiência aos amigos que a ouviam atentos. Nem entendia o porque contava. Mas era vivido e tinha de ser sabido pra Júlia que, mais que os outros, se ouvia. E amigo é isso, que ouve mais de duas vezes e acredita na versão dos detalhes engraçados.
Gesticulara, gesticulara e todos ali, estavam, presentes de corpo. Preferia acreditar, fazia sentido.
Por fim, tudo fizera sentido na manhã ressaquiada do dia seguinte. Tomou-se em pensamento de voz alta enquanto lavara o rosto: "Há noites que não conto, guardo-as."
Teve um dia em que se reencontraram, e foi péssimo! Uma amiga a acompanhava por sorte ou azar. Beberam e conversaram bem pouco. E como o tempo passou e nada lhe veio à memória nos dias atuais, fingiu esquecer, e funcionou! Quis sequer uma lembrança que goste de guardar; Foi como se aquele dia não tivesse acontecido. Ah! A camisa! Sim, era pra uma cor parecida de sol pós meio-dia quando fecham-se os olhos bem apertados e olha pra o céu.
Assistia, Júlia, a conversa que se entusiasmava gradual na mesa de bar. Tal era o desconforto que nem o assunto lhe interessava a tornar-se sociável. Poderia estar em qualquer lugar, menos ali.
Mas tinha também que não estava bem boa das idéias. Não, não consumira qualquer tipo de droga a não ser uma dose de o que era mesmo? Tomara na adolescência, comentara com a amiga ao fazer o pedido. Era uma dose desses similares a pinga com limão ou aquele outro com groselha. Em copo de plástico, que o boteco ao lado, ao do de encontro, estava fechando. Engoliu forte, em duros goles. Pronta, estou pronta! - Disse a amiga.
Relutara em guiar os passos, uma frescura momentânea para dizer que estava nervosa. Ou duvidosa; Era vontade de medo. Sabia é que se misturavam àquela bebida quente, e ela a tudo isso, em meio também àquela temperatura de o quê, 35 graus! Em seu cérebro eram 40, fritavam os graus todos.
Fôra assim, uma noite. Noites estas, existiram. Lembrara destas.
Júlia, numa outra noite, numa outra mesa de bar, dizia da experiência aos amigos que a ouviam atentos. Nem entendia o porque contava. Mas era vivido e tinha de ser sabido pra Júlia que, mais que os outros, se ouvia. E amigo é isso, que ouve mais de duas vezes e acredita na versão dos detalhes engraçados.
Gesticulara, gesticulara e todos ali, estavam, presentes de corpo. Preferia acreditar, fazia sentido.
Por fim, tudo fizera sentido na manhã ressaquiada do dia seguinte. Tomou-se em pensamento de voz alta enquanto lavara o rosto: "Há noites que não conto, guardo-as."
domingo, 18 de janeiro de 2009
Esse seria o meu maior
Por
largo
lago
espaço
de tempo
desejei-lhe folhas verdes,
ao sentido da vista sua,
a fim do fim; - afim.
A fim de que ganhasse qualquer combinação.
Dar conta da fé
e de dividir um café
ressentir-nos
oriundas
de mim
que é você.
Proeminência
que de tão opostas
forma espaço cavado
de um corpo só,
sólido.
Perfurar
o que serve para vedar;
parede forte de cantaria.
E que venha a calmaria,
maria,
ria.
largo
lago
espaço
de tempo
desejei-lhe folhas verdes,
ao sentido da vista sua,
a fim do fim; - afim.
A fim de que ganhasse qualquer combinação.
Dar conta da fé
e de dividir um café
ressentir-nos
oriundas
de mim
que é você.
Proeminência
que de tão opostas
forma espaço cavado
de um corpo só,
sólido.
Perfurar
o que serve para vedar;
parede forte de cantaria.
E que venha a calmaria,
maria,
ria.
quinta-feira, 1 de janeiro de 2009
Ouça de um pós reveillon, 2009
Me tenho ao meu lado,
parece bolero,
é um cova grande
da parte que me cabe neste latifúndio.
Divido as horas
de harmonia
com as regras da metrificação.
Duas faltam,
eis, - PUM-PUM
demasia em puns
com o passar dos anos,
parece.
Dói os ouvidos
que não abundam,
bagatela - fechei os olhos.
Esqueci tudo em duração de mutação;
estado atmosférico.
Lembrei agorinha,
ouvi mesmo - TLIM-TLIM
de madrugada.
Acordei cedo,
acendi vela,
troquei a água.
Filha,
faleceu hoje
pela manhã.
Coro:
E' de manhã, Idalina, tão te chamando.
parece bolero,
é um cova grande
da parte que me cabe neste latifúndio.
Divido as horas
de harmonia
com as regras da metrificação.
Duas faltam,
eis, - PUM-PUM
demasia em puns
com o passar dos anos,
parece.
Dói os ouvidos
que não abundam,
bagatela - fechei os olhos.
Esqueci tudo em duração de mutação;
estado atmosférico.
Lembrei agorinha,
ouvi mesmo - TLIM-TLIM
de madrugada.
Acordei cedo,
acendi vela,
troquei a água.
Filha,
faleceu hoje
pela manhã.
Coro:
E' de manhã, Idalina, tão te chamando.
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