domingo, 30 de novembro de 2008

Silêncio, Por Favor

Tem tempos em que o que a gente só quer
é silêncio
Ontem foi um dia desses
Tempos de silêncio e des-silêncios,
é o infinito
Daí, no caminho,
você encontra pessoas que,
ora te fecham ora te abrem os olhos
São nesses intervalos,
de ritmar de pálpebras,
que você vê a beleza.

À Daniela Dams

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Mais com mais mais
Mais com menos menos
Menos com mais menos
Menos com menos mais
Mais do mesm0,
tinha até uma canção.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

De um dia atrás do outro

E que se visto do alto é muito maior a dimensionar o reduzido. Maior do que se pensa e menor a equivaler uma partícula de átomo. O toque escapole, escorrega. Não bastam equilíbrio e delicadeza, é preciso chegar de perto, ouvir o que dá pra sentir. E que em cada continente um hemisfério, um país, uma cidade, um bairro, uma rua que caminha pela calçada de nossos olhos. Enxergar é pouco ao costume da vista. Em cada esquina de rua pulsa um pedaço de tudo, tudo já conhecido até então. Pouco? Pedaço é fatia de bolo de aniversário, que, em fragmentos de junção de farinha de trigo, açucar e outros ingredientes mais dividem-se, compartilham entre si a característica. Os anos passam mas não repassam, a propriedade do tempo é única.
Por aqui o sol alumeia, os carros passam e a vida avança a cada fatia de bolo notada.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Depois que conheci a minha, descobri que mãe é tudo igual. Mas isso é bom!

terça-feira, 8 de julho de 2008

Sinto
por quê?
Basta!
Sinto
porque
assim
basta.
Até amanhã.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Quem Gosta de Gatos?

Examinava furtivamente pela janela do quarto que deixara aberta a fim de identificar o dia, que já era noite. Ali, em cujo estado corporal deitada estava e que só alternava a posição das pernas às vezes, espreitava o lado de fora a constatar o tempo. Teimava um olhar alheio a observá-la rígida e em todos os detalhes.
Escancarou a janela, olhou fixo para um lugar como quem soubesse exatamente o que procura. Inclinou o corpo acompanhado do impulso do olhar, para frente e para baixo, ao mesmo tempo. Em seguida, olhou em toda a volta. Acendeu um cigarro.
Lúcia sempre que sentia-se muda em relação a si burlava a racionalidade. Ela dizia que o importante é sentir não importando o quê. E que todo o resto é bobagem.
Lúcia não tinha namorado. Na verdade, nunca namorou.
Enquanto deixara o cigarro queimar lentamente entre os dedos, raramente levando-o a boca, tragava qualquer desejo de acontecimento. - olhava para os lados.
Quando criança, Lúcia vigiava-se no espelho por inúmeras vezes ao dia, a boca antes pintada de vermelho tinha de dispor o propósito da vitalidade da cor. Retocava os lábios a todo o momento. Lia palavras difíceis bem de frente ao seu reflexo, encenava caras e bocas. A escolha das palavras se dava pela sonoridade que elas emitiam ao serem entonadas. A entonação fazia toda a diferença. E aquele batonzão cubria-lhe com alguma veracidade a tentativa de apontar a idade que não tinha.
Lia e fazia poses, algumas sensuais. Sua mãe adorava dizer para quem quisesse ouvir que era menina engajada e que tinha futuro. Chegou a levá-los quando criança, ela e o irmão, num desses estúdios caça talentos. Lúcia nunca falou com a mãe a respeito e nem com mais ninguém, mesmo depois de grande. Também não disse que não gostava, era de seu agrado conhecer lugares novos, principalmente os frenquentados por adultos.
No início da madrugada, Lúcia observou a lua e a luz forte que vinha do alto em direção a todo o resto. Retornou e retomou o olhar ao horizonte do emaranhado de casas até à ponte Rio-Niterói.
Antes mesmo que voltara a deitar-se, conservou a abertura de fresta a espiar pelo pequeno espaço; notara que há horas, em cima do muro, havia um bichano, e que este estava no mesmíssimo lugar e posição de quando abrira a janela pela primeira vez. Lá estava ele, do outro lado da rua. Fitando-a. Era ele, o tempo todo.
Nem sabia, mas gostava de gatos.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Mônica Helena, a louca

Eu seria uma boa inquilina se fosse habitante dessa sua sexualidade imunda. Lambo-lhe o dia com a ardência do cotidiano e com a possibilidade de encontrar tua poesia na cozinha. É suja e grotesca.
Você, quando não oscila da conveniência à falsa honestidade, senta-se descaradamente entre uma e outra de modo a cruzar as pernas olhando no meínho da bola castanho escuro do meu olho, à espera de qualquer advertência de silêncio de como quem olha e diz: "h'm, tá."
Vênuns e oxum são nada perto da malemolência que exala desta pele invisível. Das palavras expulsas de sua boca, muitas destas se perderam aleatórias no espaço físico do afazer corriqueiro.
Toda manhã ela comia granola com a mão e leite misturado a uma quantidade razoável de achocolatado. Tinha horror a engordar. Certamente fôra gorda na infância ou exclusa em algum momento pela notoriedade da loucura. Misteriosamente o interesse em desvendar a sua loucura aqui é nulo.
Era de um ou no máximo dois amigos, mas muitos contatos. Contatos estranhos, diga-se de passagem. Não é que as pessoas do círculo de contatos fossem estranhas, a maneira de como as conheceu é que ela fazia questão de dizer o quão floreado foi. Eu gostava de ouvir até certa época, era engraçado.
Culta, viajada e inteligente do tipo que beira à maleficidade de um cérebro carteziano, previsível e de matrizes maldosas. Feminista de carteira, cuja a tentativa de oposição neste caso é cômica.
A mesquinharia lhe invadia a alma de tal forma a não identificar o humano que se escondia dentro de si.
O silogismo é muito maior e peculiar. Não posso tencionar veneta ou evocar alguma intenção secreta, pois não há.
Portanto, adeus Mônica Helena.