quarta-feira, 4 de março de 2009
Um Terço Cantado
Rózalinda é uma moça de modos mas é de falar palavrão. Rózalinda, quando na infância podia-ir-se a destrinchar de tanto que aqui falar.., se bem de achar que é por força de qualquer tradição, nem nunca pensou não. Rózalinda dizia quase sério - sobre sua intríseca curiosidade - com o devido receio pra o caso fosse de se avergonhar; e dizia com bem pouco pudor de seus medos quando na noite vinham lhe apurrinhar. Rózalinda gostava é de curiar as fitas de cores dos cabelos das menina-sinhá; Sussurrando, dizia, verde, amarelo, azul, e essa é azul claro, sim sinhô. Candurando, Rózalinda, vivia no pecado próprio. Mas tudo ficava bem na qualidade de sua compostura. Com postura, Rózalinda, distribuía ovos por mais estranhas loucas vilas. Que sem igual condição, Rózalinda, era quê nem pra quê, e, pra quem crê, bastava see ya ou um até logão! Rózalinda, de vez em quando, dizia "Deus fique contigo" "Deus vá contigo" e deixe eu, aqui, a sofrer de viver que é pra não viver de sofrer, tá sebastião? Rózalinda se apentelhava por coisas se em demasia engraçadas; não se fiava se era pra ter tanta graça assim. Com dona graça, Rózalinda, conheceu o mar negro. Velejava, Rózalinda, com a dona, em férias escolares. Rózalinda proseava em verso distraindo-se-o-outro-do-outro, ria de fazer cagalhão. Rózalinda era é porreta pra gostar de viajar, a bicha! Venderia os gados pra um dedo de aventura aventureira de sopro nos cabelos, ê Rózalinda! Que desse tempo de terra andada sem freio, Rózalinda, acho que tinha pavor é da extravagância da cor avermelhada do sertão, que cuidou de achá-la na imensidão de ai-que-é-só-paisagem, por aqui tou de passagem. Por detrás da ventana do automóvel antigo, gesticulou em palavra, Rózalinda: - ê paisagem bôa, diá! Me tomo em direção da crença de que; por-de-sê, gentes, em lezeira bôa de rio corrente, torna o podre, que há. Por que você, cê vai querer carregar o que, então, ô patrão?
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Do Lado Interno do Tambor
Parto sem precisão
que a dor do parto nem chegou.
Pairo em conjunção
e sem premissa de jargão.
Paro em sinal fechado
que é pra não ultrapassar a solidão.
Paro a luz do dia em pleno dia!
Perguntou-lhe se viu - a menina
A peça musical, a regular o passo,
a calvagar em marcharia
sem que tenha só e única razão.
Sigo em não contrariar compassos
se o ronco da cuíca diz que agora não.
Precedo em quarta-feira de cinzas
por aí.
que a dor do parto nem chegou.
Pairo em conjunção
e sem premissa de jargão.
Paro em sinal fechado
que é pra não ultrapassar a solidão.
Paro a luz do dia em pleno dia!
Perguntou-lhe se viu - a menina
A peça musical, a regular o passo,
a calvagar em marcharia
sem que tenha só e única razão.
Sigo em não contrariar compassos
se o ronco da cuíca diz que agora não.
Precedo em quarta-feira de cinzas
por aí.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Me Vem
Meu bem, ô meu bem
vai fazer assim, hein?
Não vou ficar de belém-belém
É porque nem quero brincar, também
E nem posso supor o seu vai-e-vem
Meu riso tem preferido o aquém
E desse lado tá mais pra vintém
Prefiro assim esse mei porém
A dúvida de um certo alguém
Se pedir, até peço pra que orem pra o seu bem
Só não me peça pra esperar por um não-sei-quem
vai fazer assim, hein?
Não vou ficar de belém-belém
É porque nem quero brincar, também
E nem posso supor o seu vai-e-vem
Meu riso tem preferido o aquém
E desse lado tá mais pra vintém
Prefiro assim esse mei porém
A dúvida de um certo alguém
Se pedir, até peço pra que orem pra o seu bem
Só não me peça pra esperar por um não-sei-quem
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Prenome
Travesso compasso
à causar torpor
À
à nem sei o quê.
Grande em sucessão
de causar convulsão
DE
de nem sei o quê.
De lua em lua
me extenso indefinida
em linha musical,
em que a pauta referida
palpita
por nem sei o quê.
Pra o quê
Por quê
Do quê
Ainda que,
de tudo
que sei,
sei que
o que é
É
É no quê.
à causar torpor
À
à nem sei o quê.
Grande em sucessão
de causar convulsão
DE
de nem sei o quê.
De lua em lua
me extenso indefinida
em linha musical,
em que a pauta referida
palpita
por nem sei o quê.
Pra o quê
Por quê
Do quê
Ainda que,
de tudo
que sei,
sei que
o que é
É
É no quê.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
Entre Paredes
Foi desde aquela, então tarde, que viu que poderia colocar tudo a perder. Foi ruim pra cassete, disse ela, ao telefone.
Enclasurou-se, como dantes, e reviu-se em fronte à parede branca, a mesma dos segredos antigos; No antes já houvera a parede mas não a cor. Retruquei: - E o que você fez?
- Um café forte e bolachas com requeijão, foi o que acalmou, respondeu.
- Que bom, então!; Acompanhando seu juízo, do outro lado da linha.
Concluiu que até a canção poder-se-ia perder da vista, à vista e de vez. Gritou, "Não, Não e não!", tamanho foi que estremeceu, o tímpano meu. Arre!.., pude sentir gotículas de saliva sua atravessar os fios a lambuzar, o ouvido meu.
Concluí junto, mas esse em pensamento de voz baixa; Se, dentre as escolhas, aquela tivera sido a dela, que assim fosse. Suponho que não poria tudo a perder, não assim, de graça e sem graça.
- Um beijo, pra um café durante a semana, tá?
- Outro, querida. Ligue sim. Cuide-se! - Respondi.
Enclasurou-se, como dantes, e reviu-se em fronte à parede branca, a mesma dos segredos antigos; No antes já houvera a parede mas não a cor. Retruquei: - E o que você fez?
- Um café forte e bolachas com requeijão, foi o que acalmou, respondeu.
- Que bom, então!; Acompanhando seu juízo, do outro lado da linha.
Concluiu que até a canção poder-se-ia perder da vista, à vista e de vez. Gritou, "Não, Não e não!", tamanho foi que estremeceu, o tímpano meu. Arre!.., pude sentir gotículas de saliva sua atravessar os fios a lambuzar, o ouvido meu.
Concluí junto, mas esse em pensamento de voz baixa; Se, dentre as escolhas, aquela tivera sido a dela, que assim fosse. Suponho que não poria tudo a perder, não assim, de graça e sem graça.
- Um beijo, pra um café durante a semana, tá?
- Outro, querida. Ligue sim. Cuide-se! - Respondi.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
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